A próxima geração de diagnósticos por imagem

Conforme mencionamos em nosso primeiro artigo, assim como ocorreu no passado, a descoberta de novas tecnologias na área de engenharia está novamente abrindo caminho para avanços sem precedentes na medicina. Dentre muitas delas, queremos falar hoje sobre a Visão Computacional, um campo particular construído a partir da Inteligência Artificial.

Nos últimos anos, com o advento de computadores com maior processamento, o diagnóstico por imagem se tornou uma ferramenta poderosíssima para a medicina. O mercado cresceu abruptamente por todos os lados. Pacientes demandam e se sentem mais seguros com os diagnósticos por imagem. O número de médicos especializados na área também cresceu.  E as grandes empresas de tecnologia da área de saúde desenvolveram e evoluíram equipamentos em uma velocidade sem precedentes. O mercado está hoje saturado de ofertas e soluções e serviços de diagnóstico por imagens trazidas por grandes empresas de tecnologia. Embora a evolução seja muito positiva, ainda sofremos de desafios estruturais.

O primeiro desafio estrutural é o custo dos exames para os pacientes. Embora a escala tenha viabilizado preços mais acessíveis, as soluções atuais ainda são amplamente baseadas em computação linear. Isto encarece a contínua evolução das soluções, demandando cada vez mais processamento computacional e armazenagem de dados dos equipamentos. Os equipamentos   continuam caros e impondo preços muito altos de serviços aos pacientes para que a conta feche. Apenas famílias de alta renda terminam acessando tais padrões. Alterações no core da engenharia utilizada são essenciais para termos preços mais acessíveis. Isto encarece demais as melhores soluções de imagem, pois o hardware demandado precisa ser cada vez mais potente.

Outro desafio é que as soluções atuais são muito desconfortáveis para o paciente. Pelos métodos atuais, para a geração de imagens de alta definição os pacientes precisam ser expostos a altos níveis de radiação. Além dos riscos relacionados a tais exposições, o tempo de exame também termina sendo mais longo e desconfortável. Sem falar que um maior tempo de exame e diagnósticos impacta diretamente nos custos do exame.

Mas grandes avanços já estão na esteira de aperfeiçoamento. O emprego da visão computacional deverá diminuir significativamente os desafios. Algoritmos de inteligência artificial já tem sido capazes de gerar Tomografias Computadorizadas e Ressonâncias Magnéticas de alta resolução com muito menos dados do que aqueles necessários pelos métodos atuais. Isso significa que o paciente será exposto a níveis menores de exposição, necessária para gerar imagens de alta resolução. Com isso deve diminuir também o tempo necessário para os exames e os respectivos custos associados aos mesmos. A aplicação de inteligência artificial levará ainda a uma maior escalabilidade das capacidade de processamento de imagem e a uma menor demanda por armazenamento. Os custos para o paciente dever cair substancialmente e os inconvenientes também.

Por fim, o emprego de visão computacional na área de diagnósticos é mais um exemplo de como nossa capacidade de lidar com a saúde deve mudar. Day One.

 

Quer ver algum tema ser discutido por aqui? Manda uma sugestão pra gente no day-one@brichealth.com .

Bem vindo ao Day One

A história da medicina mostra que a humanidade teve avanços indiscutíveis. Da troca de conhecimentos sobre tratamentos nas cidades da antiga Mesopotâmia, passando pela descoberta da anatomia (1543), das bactérias (1675), pela invenção de vacinas (1796), pela descoberta da anestesia (1842), dos antibióticos (1929) e do DNA (1953), os avanços da medicina na história são fantásticos. Como resultado, a humanidade experimenta uma crescente longevidade em todo o Planeta.

Um olhar mais preciso sobre a história mostra que, quanto mais recente o passado, maiores os avanços. Isto porque, em nosso passado recentes, o que conhecemos como revoluções industriais permitiram um avanço significativo em todas as ciências existentes. Descobertas da engenharia como a energia, a fibra ótica (1995) e o transistor abriram um caminho muito maior para a pesquisa e desenvolvimento em todas as áreas da vida humana, e dentre elas a medicina.

Estamos diante de um nova disrupção em nível mundial e a medicina avançará como nunca. Novas descobertas, com aquelas do passado, habilitarão um aceleração sem precedentes nas descobertas. Klaus Schwab menciona em seu livro, “Aplicando a Quarta Revolução Industrial”, como tecnologias revolucionárias como a fabricação aditiva (impressão 3D), os materiais modernos, a internet das coisas (IoT), as biotecnologias, as neurotecnologias, a realidade virtual e aumentada, a inteligência artificial e a computação quântica terão, em conjunto e individualmente, um impacto transformacional para as possibilidades médicas.

Precisaremos com isso de uma nova forma de entregar os benefícios de todas essas descobertas para as pessoas comuns. Pense comigo. Diabéticos que podem ter sua cura através de bactérias que produzem insulina e podem ser implantadas em seu intestino. Um senhor de 80 anos que pode ter seu fêmur substituído por uma prótese construídas em uma impressora 3D com materiais avançados que replicam o tecido humano, isenta de rejeição pelo organismo. Uma paralitico que pode ter seu a comunicação entre seu cérebro e membros inferiores reconstituída através de um circuito artificial construído devido as novas neurotecnologias. Uma menina altista de 3 anos que pode ter seu tratamento acelerado por mecanismos de realidade virtual e aumentada que testarão e identificarão os estímulos mais eficazes para seu desenvolvimento. As possibilidades são infindas.

Na prática, toda a indústria de saúde terá de ser reinventada. Presenciamos resultados cada vez melhores, mas estes são derivados de uma indústria de saúde que evoluiu incrementalmente, linearmente. Não há mais tempo para o linear. Toda esta evolução e disrupção não serão comportadas pelo modelo atual, carregado de conflitos. A disrupção, na velocidade exponencial, irá reinventar a indústria e o seu escopo. Pacientes, médicos, profissionais da área médica, cientistas, empresários e governos, estamos todos cada vez mais próximos de uma disrupção completa e inimaginada, de toda a sociedade como a conhecemos, e neste contexto, a medicina. Nos próximos artigos, falaremos mais de todas as evoluções, tecnologias e suas implicações.

Se você está lendo sobre este cenário pela primeira vez, siga acompanhando o nosso blog de inovação e seja mais que bem-vindo ao que chamo de Day One das Ciências da Vida.

 


Sobre o Autor

Fernando Andrade Jr é apaixonado pela ciência e seu potencial para uma maior justiça social e equidade para o ser humano. É também um entusiasta do empreendedorismo como vetor de aceleração que tira a ciência dos livros e a traz para o dia-a-dia das pessoas. Após amadurecer profissionalmente trabalhando como consultor e executivo, decidiu fundar o Bric Health, com a aspiração de contribuir significativamente para uma saúde mais justa para a população brasileira. É formado em Engenharia de Telecomunicações pelo Instituto Militar de Engenharia, possui também MBA pela London Business School.